
No mercado imobiliário, mais precisamente na área de avaliação imobiliária, existe um problema comum: o proprietário que recusa o valor apontado na avaliação técnica e insiste que seu imóvel vale mais ou, quando isso lhe convém, afirma que vale menos. Essa resistência, embora desafiadora, é perfeitamente explicável.
A triste realidade é que muitos querem apenas “se dar bem”, sem se preocupar em fazer o que é certo, mas sim o que lhes traz benefícios. Para o avaliador que realiza um trabalho técnico, fundamentado em normas, leis e muito estudo de mercado, é possível demonstrar a realidade ao cliente, explicando o laudo e os critérios utilizados para chegar ao valor do imóvel.
O maior problema surge quando o cliente não quer ouvir nem conhecer a fundamentação técnica, pois, para ele, o que realmente importa é que o valor corresponda àquilo que deseja.
E quando um imóvel é avaliado fora de seu valor real, podem surgir inúmeros problemas:
- Alguém sairá prejudicado.
- O imóvel poderá ficar encalhado no mercado por anos.
- O avaliador que assinar um laudo com valor muito distorcido, caso isso seja comprovado, poderá responder civil e criminalmente.
- Se a questão envolver um processo judicial, a situação poderá se arrastar por anos, até que se chegue a um acordo dentro de parâmetros razoáveis.
- Mesmo extrajudicialmente, quando a avaliação envolve herdeiros ou sócios, cada um quer ter razão e não aceita o valor real. Isso pode gerar desgastes emocionais e fazer com que a situação permaneça sem solução por anos.
Avaliar um imóvel não é dar um palpite: é realizar um trabalho técnico que envolve pesquisa, análise da oferta e da demanda, cálculos e compreensão do contexto econômico. O papel do bom profissional imobiliário é chegar ao valor real do imóvel, independentemente do que o cliente diz ou almeja.
O avaliador imobiliário tem a função de proteger os interesses do cliente, realizando um trabalho criterioso, desfazendo a ilusão de preço que o proprietário acredita ser o correto e demonstrando, com fundamentação técnica, o valor efetivo do imóvel.
Nas avaliações para venda ou locação, o verdadeiro objetivo não é apenas anunciar o imóvel, mas concretizar a venda ou a locação com segurança e no menor tempo possível, sem prejudicar o cliente. Já nas avaliações destinadas à divisão de bens, o objetivo de uma avaliação extremamente criteriosa é garantir que ninguém saia prejudicado.
Silmara Gottardi
