Avaliador x máquina: o equilíbrio ideal na avaliação imobiliária

A precisão de uma inteligência artificial depende inteiramente da forma como ela é alimentada e supervisionada. No setor das avaliações imobiliárias, é necessário extremo cuidado na utilização dessa tecnologia, mesmo quando empregada apenas para uma simples pesquisa. Delegar à inteligência artificial a responsabilidade por uma avaliação imobiliária pode acarretar sérios prejuízos materiais e comprometer a responsabilidade técnica do avaliador.

A IA analisa dados e números, mas não tem a percepção crítica e a experiência do profissional avaliador. A máquina não identifica detalhes específicos de cada imóvel nem compreende integralmente as características dos elementos amostrais utilizados. Além disso, o mercado das avaliações imobiliárias é movido pelo comportamento humano, por fatores econômicos e por circunstâncias particulares que vão muito além de números e estatísticas.

Um algoritmo não sabe, por exemplo, se um imóvel semelhante ao do vizinho foi vendido por um valor 30% inferior devido à urgência de um divórcio ou a uma partilha de herança complexa. Ao absorver esse dado sem o devido contexto, a inteligência artificial pode distorcer a média de preços da região e comprometer a análise.

A vistoria física e o trabalho humano técnico do avaliador continuam sendo indispensáveis para determinar o valor real de um imóvel.

Se uma região historicamente desvalorizada começa a receber um forte investimento público, como uma nova linha de ônibus, rota policial, unidade de saúde ou um parque linear, a IA pode demorar a identificar a nova tendência de valorização. Da mesma forma, se o crime aumenta repentinamente em uma região específica, o modelo demorará meses para refletir essa queda de atratividade.

A inteligência artificial não veio para substituir o perito avaliador imobiliário nem o corretor de imóveis. Seu papel é atuar como ferramenta de apoio, auxiliar em certas etapas do processo e contribuir para a organização e a análise de informações.

O equilíbrio ideal está na utilização da inteligência artificial como ferramenta de apoio ao trabalho técnico, e não como substituta da análise profissional. A IA pode auxiliar na organização de dados, em pesquisas de mercado e na identificação de tendências, proporcionando mais agilidade ao processo. Entretanto, a interpretação das informações, a vistoria do imóvel, a análise das particularidades locais e a responsabilidade técnica pelo laudo permanecem sob a competência do avaliador.

Na avaliação imobiliária, a IA pode agregar eficiência, mas não possui capacidade para substituir a sensibilidade profissional, a ética, a vistoria in loco e a compreensão do contexto social e mercadológico. Esses elementos continuam sendo atribuições exclusivas do perito.

Encontrar o equilíbrio entre a tecnologia e o conhecimento de mercado é o caminho para avaliações mais justas, seguras, fundamentadas e precisas.

Silmara Gottardi

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