Avaliação imobiliária abaixo de zero – Parte I: parceria e proposta de honorários

Eu sempre defendi o trabalho em parceria, porque acredito que bons profissionais, quando trabalham juntos, podem desenvolver uma avaliação imobiliária de forma mais segura. Quando dois avaliadores imobiliários estão empenhados em uma avaliação, um complementa o outro.

Independentemente de um avaliador ser mais experiente do que o outro, sempre temos o que aprender. Inclusive, os questionamentos de um impulsionam o outro a buscar mais conhecimento, tornando o trabalho mais completo e contribuindo para o aprimoramento profissional.

Tive o privilégio de ser contatada por uma colega perita avaliadora para trabalharmos juntas em uma avaliação. Como o caso era um pouco mais complexo do que o habitual, ela comentou:

— Vamos fazer essa avaliação a quatro mãos? Assim teremos mais segurança para chegar ao valor correto e mais chances de cumprir o prazo exigido.

Aceitei de imediato, até porque a conheço muito bem e sei que é uma excelente profissional.

A partir daí, fomos para a parte burocrática: entender exatamente o que precisava ser avaliado. Tratava-se de uma área rural, bem no interior do Estado, e eu sempre procuro pesquisar todos os detalhes antes de apresentar uma proposta de honorários compatível com a realidade do serviço.

Percebi que o trabalho exigia conhecimento da região, algo que nem eu nem minha colega tínhamos, pois era um município onde nunca havíamos atuado. Portanto, teríamos de buscar informações e, provavelmente, contar com o auxílio de algum avaliador local.

Lemos toda a documentação e reunimos as informações necessárias. Só depois chegamos à conclusão sobre o valor da proposta. Essa etapa de definir quanto cobrar não é tão simples. Não existe um padrão, nem uma fórmula pronta. É preciso bom senso, estudar cuidadosamente o caso, estimar o tempo de trabalho, considerar os custos de deslocamento e até as possíveis parcerias necessárias para orientar o serviço.

Apresentamos o valor, mas ele não foi aceito de imediato: o juiz arbitrou um valor inferior. Questionei:

— O que você acha? Vamos aceitar?

Depois de conversarmos, acabamos aceitando receber um pouco menos, até para abrirmos caminho em um novo mercado regional. Com essa etapa concluída, o próximo passo era agendar a vistoria. Como sempre, isso precisava ser feito com certa antecedência.

Ficamos analisando o calendário em busca do melhor dia e horário, de modo que fosse conveniente para nós e para as partes envolvidas. Definimos a data e protocolamos a petição.

A continuação dessa história fica para próxima crônica, porque essa vistoria ainda reserva muitas surpresas…. e posso adiantar que foi uma experiência bem “gelada”.

Silmara Gottardi

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