
Amanheceu com temperaturas negativas. Às 6h da manhã, os termômetros marcavam -4 graus, com sensação térmica de -8. Eu nunca tinha sentido um frio tão intenso.
Na hora de levantar, nem pensei duas vezes: o jeito foi colocar bastante roupa e me proteger ao máximo. Calça e blusa térmicas, mais blusas e casaco, cachecol, luvas, meias grossas, touca e botas. Ao descer para tomar o café da manhã, o assunto não poderia ser outro: todos ali estavam sentindo frio e imaginando como estaria na rua.
— Hoje vai ser difícil encarar esse frio lá fora! — alguém comentou.
Só mesmo um café quentinho para começar bem o dia!
Quando cheguei no carro, tive uma surpresa: estava todo coberto de gelo, e era uma camada bem grossa. Pensei: o que faço agora?
Não havia como limpar. Então, liguei o ar quente e precisei esperar o gelo do para-brisa derreter um pouco para poder enxergar alguma coisa. Eu estava com tempo, ainda faltava uma hora para encontrar o pessoal que me auxiliaria na ida ao sítio.
A cidade era pequena, tudo ficava próximo. Então resolvi dar uma volta pelo lugar. Logo cheguei à praça e, como tudo era diferente para mim, acabei me divertindo com o lago congelado, com o termômetro da praça que marcava a temperatura negativa, com o gelo na grama e com o orvalho congelado nas árvores.
O dia estava lindo, um sol maravilhoso, contrastando com a chuva intensa do dia anterior. Pelo menos naquele momento havia um sol forte para ajudar a se esquentar um pouco.
Aproveitei para fazer algumas fotos e desfrutar o momento. Eu pisava na grama e ela estralava, como se estivesse pisando em cacos de vidro. Aos poucos, mais pessoas começaram a chegar na praça. Algumas eram moradores, que iam para o trabalho, para a escola; outras eram turistas, que pareciam tão deslumbrados quanto eu com a beleza do lugar.
Em seguida, recebi uma mensagem do pessoal que eu estava aguardando. Me dirigi ao local onde estavam, cumprimentei-os e combinamos a ida ao sítio para a vistoria. O casal era muito simpático. Eles também comentaram sobre o tempo frio, e ficamos ali conversando um pouco.
O senhor me explicou que eles iriam na frente e eu os seguiria. Me perguntou se eu conseguiria, pois, como havia chovido muito no dia anterior, alguns trechos da estrada estavam com barro. Além disso, havia várias subidas e descidas, curvas e trechos ora com pedras maiores, ora com pedregulhos.
— Você acha que consegue chegar? — questionou ele.
Naquele momento, me lembrei do tempo em que morava no interior e do meu pai me instruindo sobre como dirigir no barro. Então falei para ele:
— Pode deixar comigo. Eu vou, sim!
O jeito era encarar o desafio. E lá fomos nós, percorrendo 30 km, saindo da cidade.
Na próxima crônica, eu conto o final desta aventura!
Silmara Gottardi
Perdeu as duas primeiras partes desta aventura? Confira aqui:
👉 Avaliação imobiliária abaixo de zero – Parte I: parceria e proposta de honorários
👉 Avaliação imobiliária abaixo de zero – Parte II: conhecendo a região do imóvel avaliando
