
Em meio aos trabalhos, agendamentos de vistorias e orçamentos, recebi a mensagem de uma cliente. Ela estava bastante ansiosa e precisava de duas avaliações imobiliárias de um imóvel urbano.
— Preciso com certa urgência… é para um processo , disse ela logo no início da ligação.
Então, conversamos por telefone para que eu pudesse entender melhor a situação. Tratava-se de um processo de litígio, e a solicitação era a apresentação de duas avaliações do imóvel em questão.
Convidei uma colega de trabalho, que prontamente aceitou.
— Claro, vamos juntas. Assim agilizamos tudo, respondeu ela.
Elaboramos nossas propostas de honorários e, no dia seguinte, a cliente aceitou. Agendamos a vistoria para dois dias depois. Decidimos ir juntas, o que facilitaria bastante, já que a cliente trabalhava o dia todo fora.
O imóvel ficava em um bairro central, com população densa e de fácil acesso. Antes de chegarmos à casa, percorremos a região para conhecê-la melhor e realizar a pesquisa de mercado.
— Sempre bom sentir o entorno antes, faz toda a diferença na avaliação, comentei com minha colega.
Chegamos ao imóvel, e a cliente já veio nos receber.
— Fico tão aliviada de vocês terem vindo juntas, disse ela.
Conversamos um pouco, coletamos mais informações e, em seguida, iniciamos as fotos. Cada uma à sua maneira porque, mesmo trabalhando juntas, mantemos nossa autonomia na execução do trabalho.
O terreno era amplo, totalmente plano, gramado, com alguns arbustos rente ao muro e flores nos fundos. A casa, de dois pavimentos, era bem arejada, com cômodos amplos, construída há poucos anos e muito bem conservada. Havia, ainda, espaço lateral para os carros.
Finalizamos as fotos, deixei minha colega em seu escritório e segui para o meu. Já comecei a baixar as imagens, organizar o material e, sempre que possível, inicio o laudo no mesmo dia, assim as informações ainda estão frescas na memória e evito acúmulo de trabalho.
Foram necessários alguns dias para concluir o laudo. Assim que finalizei, enviei à cliente.
Para minha surpresa, ela ligou bastante nervosa.
— Não entendi esse valor da edificação… o terreno está certo, mas a construção não pode valer isso!
Com calma, expliquei:
— Peço que você leia o laudo completo. Não é apenas o valor isolado que deve ser considerado, mas todo o contexto da avaliação.
Esclareci que não foi a Perita Imobiliária Silmara Gottardi quem definiu o valor, mas o próprio mercado.
— Nós seguimos critérios técnicos, analisamos dados, utilizamos metodologias, tabelas e referências. O valor final é resultado desse conjunto, não de uma opinião pessoal.
Aos poucos, ela conseguiu compreender o processo.
Nós, peritos, precisamos estar preparados para os questionamentos e responder sempre com base técnica. Mais do que apresentar um resultado, é fundamental saber demonstrar e sustentar, com clareza, o caminho que levou até ele.
Silmara Gottardi
