
Depois de tudo organizado para a vistoria, só precisávamos aguardar o dia agendado. Como era uma cidade distante, fui no dia anterior à vistoria, pois era uma viagem de aproximadamente 450 km, e é necessário estar preparada para os transtornos que podem ocorrer.
Saí muito cedo e estava indo bem, mas, nas últimas duas horas de viagem, era tanta chuva que o cansaço pegou. Além de todo o movimento da rodovia, a chuva não dava trégua, e eu ali, com os olhos acesos, com extremo cuidado ao volante.
Chegando à pequena cidade, ainda com muita chuva, já me instalei no hotel reservado previamente, comi alguma coisa e, em seguida, entrei em contato com o corretor com quem havia falado alguns dias antes de ir para lá. Ele me receberia na imobiliária no meio da tarde para conversarmos sobre o imóvel avaliando e a realidade da região.
Sempre que faço um trabalho fora da minha região, procuro ter um contato para obter informações locais e, na maioria dos casos, faço uma parceria, para que, assim, o trabalho fique mais seguro. Ninguém melhor do que um bom profissional do local para nos orientar.
Além das informações extremamente úteis, tivemos uma boa conversa, tomamos um café e, na saída, ainda ganhei algumas maçãs, que são o principal produto da economia da região. O corretor de imóveis deu uma aula de como foi o início de tudo no município: os imigrantes, os incentivos, o cuidado para iniciar a produção de maçãs, que hoje move uma economia gigantesca por toda a região.
De lá, fui até a prefeitura. Cidade pequena é tudo pertinho: faz-se tudo muito rápido e a pé na área central. Consegui falar com o setor que atende a área rural, fui muito bem atendida e consegui a documentação necessária para o meu trabalho. Os dados oficiais são de extrema relevância para a avaliação imobiliária.
Aos poucos, eu estava me ambientando com o local. Uma cidade do interior, muito bem cuidada, turística, principalmente pelo fato de nevar. E, claro, eu estava torcendo para que fizesse muito frio, só para sentir o que era o frio de lá, que eu só “ouvia dizer”.
Andei mais um pouco pela cidade; a chuva havia acalmado. Depois, me recolhi ao hotel. Eu precisava preparar as coisas, porque, no dia seguinte, teria que acordar muito cedo, pois havia agendado às 8h, na praça da cidade, um encontro com o pessoal que iria me mostrar o caminho da área rural. Eram 30 km da cidade, por estrada de terra e pedra. E a previsão era de muito frio; percebi a temperatura baixando bastante.
Na próxima crônica, eu continuo contando a aventura nessa cidade gelada!
Silmara Gottardi
