A corrente – uma vistoria cheia de aventura

Era um sábado chuvoso e frio, mas como corretor de imóveis não tem dia para trabalhar, lá estávamos eu e Luca para mais uma perícia. Era uma área rural, próxima à região metropolitana, um lugar que ainda não conhecíamos, porém conseguimos encontrar o imóvel com ajuda do GPS e perguntando para moradores locais.

Nosso trabalho é muito dinâmico, às vezes, sinto-me meio que uma detetive, sempre descobrindo novos lugares e desvendando endereços. Esse, em particular, como era um terreno rural, foi um pouco mais difícil, mas conseguimos localizá-lo. Na realidade, nada é impossível para quem quer alguma coisa, basta ter perseverança e correr atrás.

O cliente não pôde nos acompanhar, só nos orientou por telefone. Chegamos na estrada de chão, em meio à chuva, ao barro e tomando cuidado na direção. Durante a vistoria da área, eu ia segurando o guarda-chuva e Luca fotografando. Nessas alturas, importava mais cuidar para não molhar a máquina fotográfica e a prancheta com as anotações; eu e Luca estávamos nos molhando um pouco, sem contar o barro nos calçados.

Fotografamos uma parte da área, depois voltamos para o carro para fotografarmos outra parte, pois era um terreno grande; paramos e novamente fotografamos, mesmo procedimento: guarda-chuva, máquina, prancheta, anotações. Ora ríamos de tudo aquilo, ora nos assustávamos com os relâmpagos.

A chuva deu uma trégua. Agora era só o barro e a água que escorria pela estrada. Fomos até o portão do sítio, tínhamos que fazer algumas fotos internas. Era uma bonita área, plana, com muitas árvores, um rio nos fundos, um gramado, duas casas de alvenaria, a entrada com um portão de madeira, um pouco pesado. Todo o sítio era cercado. Luca ia fotografando e eu anotando tudo, cada detalhe.

Fomos nos aproximando das casas, depois Luca chegou mais perto e eu fiquei aguardando no portão. De repente, ouvimos o latido forte de um cachorro; ele apareceu como um raio, era enorme e corria na direção de Luca, eu corri para o portão e o abri rapidamente e vi Luca correndo como eu nunca tinha visto antes e o cachorro no seu encalço. Foram segundos de uma mistura de medo e algo engraçado, não tinha o que eu fazer para ajudar meu parceiro, a não ser gritar: ‘corre’, e manter o portão aberto para ele escapar do cachorro.

E quando o enorme cachorro estava quase alcançando Luca, eis que a corrente que o prendia esticou totalmente e o cachorro levou um grande tombo. Mas Luca nem olhou para trás, saiu voando pelo portão, até que eu, em meio a gargalhadas, disse: ‘calma, pode parar de correr, o cachorro está amarrado e já levou o maior tombo, só continua latindo, mas está bem amarrado’.

Luca estava ofegante, mas agora que estava bem e seguro, começou a gargalhar. Nós dois nem conseguíamos conversar, pois tudo aquilo foi muito engraçado, ríamos tanto que as lágrimas corriam pelo rosto. Foi uma vistoria bem diferente, uma verdadeira aventura, cheia de emoções, ainda bem que o cachorro foi surpreendido pela corrente esticada, porque nem gosto de imaginar o que teria acontecido se aquela ‘fera’ estivesse solta.

Silmara Gottardi

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