Sobre os corretores de imóveis – segundo o superintendente do CRECI-PR

Entrevista com Luiz Carlos Ribeiro – superintendente do CRECI-PR / 6ª Região

Ele entrou para o Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (CRECI) com 15 anos de idade, em 1979. Na época, buscava emprego e viu um anúncio num jornal. Fez o teste seletivo e foi aprovado para trabalhar como office boy. Ficou um ano como office boy, trabalhando  no transporte e distribuição de correspondências, documentos e ajudando na parte administrativa do CRECI. Conta que corria para fazer o trabalho externo e ajudava internamente, porque queria aprender como era o trabalho interno. Após um ano, foi promovido. Trabalhou na secretaria, no departamento de fiscalização, no financeiro. Depois de vários anos e muita experiência, foi promovido a superintendente, cargo que ocupa até hoje.

Nesta entrevista, Luiz nos conta um pouco da sua trajetória, sua percepção sobre os corretores de imóveis e sobre a profissão na atualidade.

Silmara: Você é o cerimonialista nas entregas das credenciais do CRECI. Cada cerimônia é diferente? O que você sente ao apresentar cada novo corretor de imóveis?

Luiz Ribeiro: Sim, cada cerimônia é diferente. Cada turma que se forma é uma experiência nova; são pessoas com expectativas diferentes e, por incrível que pareça –  porque o discurso é o mesmo, não tem como mudar o protocolo –, mas cada vez que eu estou fazendo o trabalho de cerimonialista eu me empolgo, como se fosse a primeira vez que estou passando as informações. É emocionante! Acabo me envolvendo no clima. Os familiares e amigos muitas vezes estão presentes e é contagiante a empolgação. Procuro passar uma mensagem de entusiasmo e a importância de ser corretor de imóveis.

Silmara: Em todos esses anos trabalhando no CRECI, quais as maiores mudanças que você percebe na área imobiliária?

Luiz Ribeiro: Eu vi a profissão passar por várias transformações, vi um crescimento muito grande. Na década de 80, o corretor de imóveis ainda era só aquele ‘aproximador das partes’, aquele que reunia as duas partes, iam ao cartório e estava feita a transação. Hoje percebo que os clientes estão mais exigentes, eles querem realmente uma  assessoria imobiliária. O corretor de imóveis inicia a negociação, traz tranquilidade e segurança ao cliente. Para atender ao novo perfil de cliente, o corretor de imóveis precisa estar muito mais preparado do que aquele corretor de 1980. Não basta mais só o curso de Técnico em Transações Imobiliárias (TTI); tem que estar sempre estudando, correndo atrás de conhecimento, estar preparado para fazer uma avaliação de qualidade, um laudo bem elaborado, conhecer muito bem uma matrícula. O bom corretor de imóveis não é simplesmente um aproximador de negócios, mas um conhecedor do mercado imobiliário. Ele tem que entender o processo todo para atender muito bem o seu cliente.

Silmara: Qual sua opinião sobre a profissão de corretor de imóveis?

Luiz Ribeiro: Nossa profissão é muito interessante. Eu também sou corretor de imóveis! Eu dou o maior incentivo para quem me pergunta sobre a profissão, porque proporciona uma rentabilidade muito boa. Não digo que é fácil, mas se a pessoa se dedicar, consegue uma boa renda, sim. Você está trabalhando com o sonho da pessoa e não tem nada mais maravilhoso do que você entregar a chave nas mãos de uma pessoa que está entrando pela primeira vez debaixo do seu teto, naquilo que é seu. Poder decorar do seu jeito, ‘mandar no imóvel’, porque é dele. Não importa se está financiado, se vai demorar 30 anos para terminar de pagar. É dele, ele se orgulha em dizer que mora no que é dele. Essa é uma das realizações da nossa profissão, porque também contribuímos com  o progresso das cidades, é fascinante isso! A maioria dos imóveis de uma cidade passa pelas mãos de um corretor de imóveis.

Silmara: Você tem alguma história peculiar, algo diferente que aconteceu durante seu trabalho? Algo inusitado que marcou?

Luiz Ribeiro: Ao longo desses anos, eu vi muita coisa. Por exemplo, nas entregas de credenciais, vi o marido entregando a carteira para a esposa ou a esposa para o marido, pais para filhos. Isso é interessante, porque a família se envolve e acaba se identificando com a profissão. Temos imobiliárias que são formadas só de pessoas da própria família. E têm fatos marcantes! Há uma história que foi até engraçada, mas delicada. Em uma cidade do interior, um agente fiscal fazia seu trabalho normal de fiscalização; porém era muito difícil pegar o exercício ilegal da profissão – o chamado ‘picareta’ – em flagrante. E esse fiscal teve uma ideia: anunciou na cidade que iria distribuir carteira de corretor de imóveis, mas o pessoal precisava fazer uma inscrição. Ele marcou um lugar na praça e lá ele pegava o documento, anotava o endereço e lavrava um laudo de constatação de todos os que chegavam; e ele dizia que a carteira viria pelo correio, mas na realidade ele autuou todo mundo que se dizia corretor de imóveis na cidade. Deu um problema sério; esse fiscal ficou um bom tempo sem poder voltar para a cidade até o CRECI poder contornar essa situação.

Silmara Gottardi

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