Aquelas casas – uma tarde de vistorias e correrias

Eu trabalhava no meu escritório certo dia quando de repente recebi uma ligação. Era uma senhora com a voz um tanto ansiosa e um pouco perdida, me perguntou de forma direta o valor que eu cobrava para fazer uma avaliação.

Como sempre faço, perguntei primeiramente o seu nome, pedi detalhes sobre a avaliação, sobre os documentos do imóvel. Foi quando eu descobri que, na realidade, tratavam-se de cinco imóveis e não de somente um. Por isso, sempre digo que é necessário solicitar ao cliente todos os detalhes para só depois dar um orçamento. O cliente é leigo, ele não sabe o grau de dificuldade para se fazer uma avaliação.

Fiz o orçamento e, no dia seguinte, a cliente aprovou. Agendamos as vistorias todas para o mesmo dia. Como os cinco imóveis ficavam em bairros diferentes e, além disso, estavam alugados, era necessário organizar bem todos os horários.

No dia marcado, fui ao primeiro imóvel, onde eu já era aguardada. A cliente, senhora Iolanda, já havia falado com seus inquilinos sobre as vistorias. Ela era uma pessoa simpática, falante, bem quista pelos seus inquilinos, eles a respeitavam muito.

De qualquer forma, quando o trabalho envolve terceiros que não fazem parte do processo, esse torna-se mais delicado, porque nem todos entendem ou gostam de ter um Perito, uma pessoa estranha, entrando e fotografando o local onde moram. Mas esse é meu trabalho, e eu procuro ser o mais formal possível, explicando a situação e que é preciso estar ali.

Terminei a primeira vistoria e, em seguida, dirigi-me ao segundo imóvel. Era uma tarde de muito calor, o sol brilhava forte num céu sem nuvens. Comecei a fotografar a parte externa do local, mas a luminosidade dificultava para ver se as imagens estavam ficando boas. Além disso, por conta do movimento intenso de carros, era perigoso ficar na rua, e eu tinha que fotografar e anotar cada detalhe.

Para não me atrapalhar com a quantidade de imóveis, procurei fazer tudo com calma e cuidado. Embora a senhora Iolanda conversasse bastante, em nenhum momento tentou impor algo ou se interpor no meu trabalho. Ela falava educadamente e fazia apenas perguntas normais sobre o meu serviço. E eu dividia minha atenção entre as fotos, as anotações, os inquilinos, os carros na parte externa e a cliente.

Ao todo, foram quatro horas de vistorias – e correrias – e mais algumas pesquisas locais. Confesso que me senti um pouco cansada. Afinal, vistoriar cinco imóveis, e ainda numa tarde quente de sol, requer uma dose maior de concentração e organização. Mas tudo isso é irrelevante para quem trabalha com as avaliações de imóveis e conhece o alto comprometimento que envolve esta atividade.

Todos sabemos que a vistoria é parte fundamental para a boa avaliação de um imóvel. E assim, ao final do dia, voltei para casa com a sensação de ter cumprido bem esta etapa. Com o material que tinha em mãos, dei continuidade ao meu trabalho, até o dia de poder entregar os laudos para a cliente.

Silmara Gottardi

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