As surpresas nas avaliações imobiliárias – Parte II

Depois de muita conversa e explicações, fomos autorizados por Dona Antônia a fazer a vistoria nos seus dois imóveis. Como ela nos explicou, naquele momento estava ocupada com seus afazeres, mas designaria seu neto para nos acompanhar. E assim foi.

Arthur era um jovem disposto e conversador. Muito educado, nos conduziu com boa vontade na visita aos imóveis, apresentando cada espaço enquanto nos contava as histórias de sua família.

Começamos pela casa principal, na parte térrea. Em seguida fomos para o segundo pavimento. O rapaz ia nos mostrando tudo, falava com entusiasmo. Lá pelas tantas ele apontou para uma flor exótica que enfeitava a sacada e perguntou se conhecíamos. Eu respondi imediatamente que não, pois tenho pouco conhecimento de plantas. Meu colega aparentemente tampouco.

Arthur comentou orgulhoso que se tratava de um presente especial que ganhara de sua madrinha: uma planta carnívora. Achei surpreendente, nunca tinha visto uma. Ele se animou e acabou nos apresentando todas as plantas que estavam na sacada, das quais ele disse que cuidava e conhecia em detalhes. Demonstrou ser um admirador das plantas, dos animais e da natureza. Aquilo me encantou.

Seguindo, subimos até o sótão. Como de costume, anotávamos e fotografávamos tudo. E Arthur continuava sua narração sobre os acontecimentos ocorridos naqueles cômodos onde passara toda a infância com sua querida vó Antônia.

Voltamos para fotografar os fundos do terreno. Ali havia muitas plantas e algumas árvores frutíferas. Terminamos o primeiro imóvel e rapidamente nos deslocamos para o segundo, que ficava no mesmo bairro.

O neto de Dona Antônia nos mostrava o caminho. Eu e meu colega Rafael sentíamos que estávamos bem acompanhados. Além de falante, Arthur era alegre, descontraído e nos deixava à vontade para fazer o nosso trabalho.

Nesse outro imóvel nos deparamos com duas casas de madeira em estado bastante crítico, bem simples mesmo. Logo na entrada do terreno fomos recebidos pelos bichos de estimação da família: cachorros, patos, galos, galinhas, gatos e até um coelho. Arthur se dirigia a todos com carinho, procurando acalmá-los para que pudéssemos realizar a vistoria.

Finalizamos nosso trabalho ali e voltamos para o primeiro imóvel, onde agradecemos e nos despedimos de Dona Antônia e de Arthur. Durante o trajeto de volta, vim refletindo o quanto fora peculiar essa avalição. Mesmo diante da frieza daqueles imóveis desgastados pelo tempo, recebemos o acolhimento e o calor humano de duas pessoas tão incríveis: um jovem e uma anciã.

Por isso eu insisto: a avaliação de imóveis vai muito além de cálculos. Trata-se do sentir, do estar no lugar, de conhecer, entender e ouvir os envolvidos. Em uma vistoria vivenciamos e aprendemos que, para além das aparências, por trás de cada imóvel há uma história.

Silmara Gottardi

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