
Fui indicada para fazer uma avaliação de imóveis. Era uma questão familiar, sete edificações em um único terreno e sete herdeiros, e isso sempre gera certo cuidado a mais.
Em contato com uma das herdeiras, percebi que ela ‘demorou’ para entender que eu precisava de mais informações para poder elaborar o orçamento. E normalmente é isso que acontece: o cliente quer saber de imediato o valor do trabalho, mas não é assim que funciona! Eu preciso entender que tipo de imóvel é, a localização, as peculiaridades, enfim, ter elementos que possam demonstrar a complexidade e até mesmo a viabilidade do trabalho.
Depois de algumas conversas ao telefone, a cliente compreendeu e me forneceu as informações necessárias. Como eu já previa, tratava-se de algo bem complicado. Cada um dos herdeiros estava com a matrícula de uma das edificações e, à medida que fui recebendo os documentos, vi que eram todas da década de 1970, ou seja, nada havia sido atualizado.
Naquele momento, me dei conta de que os herdeiros sequer haviam feito inventário e já falavam em vender tudo. Queriam uma avaliação para poder vender o imóvel. Mas, neste caso, não é o melhor procedimento.
Nada estava averbado e olhando pelas imagens de satélite não estava bem claro. Então, resolvi ir até o local. Para nós, Peritos, a responsabilidade é enorme, desde o orçamento. Não temos como passar um valor sem saber exatamente “em que pé” está o imóvel.
Quando eu cheguei ao local, aí sim, tive a realidade ali diante dos meus olhos. Tratavam-se de construções muito comprometidas, algumas totalmente deterioradas; a pintura velha, descascada, praticamente apagada. Eram aquelas construções bem antigas e sem conservação adequada. Algumas eram habitadas, apesar da situação; outras não tinham condição alguma para utilização de qualquer natureza.
Era um contraste ver aquelas construções e olhar ao redor, pois era um bairro próspero, com casas e comércios bons, edificações sendo erguidas, ruas movimentadas, alto fluxo de carros e transporte coletivo.
Passei em frente com o carro várias vezes, depois parei e fiquei observando, e então pensei: “Realmente é impossível elaborar um orçamento sem saber como é o imóvel”.
Mais tarde, liguei para a cliente e expliquei a situação. Pedi mais detalhes sobre o interesse em avaliar. Alguém havia ‘plantado’ na cabeça dos herdeiros a necessidade de avaliar e oferecer o imóvel para construtoras, pois o terreno tinha potencial, mas as edificações só serviam para demolição.
Então eu fiz o que deveria fazer: disse que não daria o orçamento, pois aquele não era o momento de avaliar. O primeiro passo seria realizar o inventário e, durante o processo de inventário, caso precisassem do meu serviço para avaliar, aí sim, eu estaria à disposição.
Acredito que a transparência para com o cliente seja sempre o melhor caminho. E você? O quer faria neste caso?
Silmara Gottardi

Boa noite, sou Reginaldo F. de Oliveira do Estado do RJ, Município de Nilópolis, gosto e acompanho suas publicações, sua colocação é adequada para esses clientes, não poderia fazer a Avaliação informando essa particularidade, e com isso uma desvalorização no valor final devido a falta de averbação, inventário e até mesmo um projeto com averbação e registro?
Reginaldo Oliveira
(021) 97043 5264.
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Eu até poderia fazer a avaliação pontuando os problemas e situações, porém, se o desenrolar demorasse muito, talvez o valor do imóvel já seria outro na hora da venda.
Achei melhor instruir para que eles fizessem o passo a passo e numa ordem mais satisfatória.
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