Avaliação rural – vistoria com a cara e a coragem – parte II

Eu e o Renato estávamos ansiosos para a vistoria do dia seguinte, a chuva não dava trégua, e isso é um pouco complicado na avaliação rural. Ao mesmo tempo, sabíamos que não havia o que fazer, porque a vistoria é sempre agendada com antecedência, portanto, não há outra opção a não ser enfrentar as surpresas da natureza.

Já era tarde e estávamos cansados da viagem, afinal rodamos mais de 400 Km naquele dia para chegar até o município dos imóveis rurais a serem avaliados.

No dia seguinte, acordei cedo e encontrei Renato no café. Ele logo disse:

— Falei para você que ia dar tudo certo, ontem achamos o local com a ajuda das pessoas e veja como amanheceu o dia, um sol maravilhoso!

Então eu só respondi:

— Você realmente disse, Renato. E estava certo, tudo está conspirando para que o nosso trabalho continue dando certo.

O dia realmente estava lindo. Tomamos café com calma, conversamos sobre o trabalho e ficamos ali aguardando, pois ainda faltava tempo para o horário da vistoria.

Perto do horário agendado fomos até os sítios, todos paralelos, o que facilitava o deslocamento. Chegando lá aguardamos um pouco e logo os proprietários chegaram. Eram dois irmãos, idade não tão avançada, porém os rostos franzinos, as mãos calejadas, era nítido que trabalhavam pesado para conseguir sobreviver. Nos apresentamos e explicamos como seria o trabalho.

Eles nos acompanharam, indicando as divisas das terras e os sítios de cada matrícula. Renato e eu íamos fazendo as fotos e eu também anotava as informações importantes. Apesar do sol forte e um pouco de vento, havia muito barro, porque a chuva do dia anterior fora constante, deixando a terra bem molhada.

Nós percorremos vários pontos das terras, subidas e descidas, amassando barro, cuidando para não tropeçar ou escorregar. Também tínhamos que ter cuidado ao caminhar no meio da plantação de soja.

Depois de todo trabalho feito nos despedimos dos proprietários e fomos coletar informações pela região. Conversamos com vizinhos, com corretores de imóveis da região, anotamos telefones de placas de imobiliárias, enfim, fizemos o máximo possível para obter informações e assim ter mais segurança no trabalho.

Nesse meio tempo, almoçamos e no meio da tarde fomos embora. Apesar do cansaço físico e mental, estávamos felizes, radiantes por tudo ter dado certo. Estávamos convictos de que essa parte da missão estava cumprida. E já falávamos, no caminho de volta para casa, sobre como produzir o laudo e sobre os cálculos, as anotações que fizemos.

A cabeça do perito avaliador não para, o nosso trabalho é incrivelmente maravilhoso! Cheio de surpresas, aventuras, descobertas, encontro com pessoas diferentes, proprietários cheios de histórias, clientes com o seu jeito de viver, pessoas que nos ajudam nas informações e sempre, a cada dia, eu aprendo mais a conviver com as adversidades.

Como não amar a avaliação de imóveis?!

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