
Eu estava no escritório finalizando um laudo quando recebi a ligação de um colega de trabalho. Ele queria conversar sobre a possibilidade de uma parceria para a avaliação de um imóvel em um município próximo da capital.
Tratava-se de um imóvel incomum, com edificações diferenciadas e metragem significativa, tanto do terreno quanto das construções. Ele precisava de apoio e, como sabe que costumo fazer parcerias em avaliações, entrou em contato.
Conversamos sobre o imóvel e percebi, de imediato, que esse era um daqueles casos em que eu precisava ir até o local para compreender melhor a situação e, só então, elaborar a proposta de honorários.
Mesmo sabendo que corro o risco de ir até o imóvel, ter custos com deslocamento e investir meu tempo de trabalho – sem a garantia de fechar com o cliente –, ainda assim prefiro correr esse risco a simplesmente enviar uma proposta sem conhecer o imóvel. Isso pode resultar em surpresas desagradáveis no momento da vistoria.
Quando o imóvel é menos complexo, até conseguimos fazer o orçamento à distância. Há recursos como o Google Maps ou o Google Earth, que permitem visualizar o local e observar algumas características superficiais a partir do endereço. No entanto, em casos mais específicos e complexos, é essencial compreender a realidade presencialmente antes de estipular um valor.
Agendamos com os clientes e seguimos para o local. Era uma manhã fria e bastante chuvosa. Fomos com todo o cuidado, pois o trânsito estava intenso, com muitos caminhões – é uma rota bastante movimentada, o que exigia atenção redobrada. Em meio à chuva forte e ao tráfego lento, conversávamos sobre as características do imóvel, como seria o procedimento da avaliação e quais documentos ainda precisaríamos solicitar aos clientes.
Ao chegarmos, tive a certeza de que seria um erro ter passado um orçamento sem antes conhecer aquela realidade. Fomos prontamente recebidos e, antes de iniciarmos a conversa técnica, tomamos um café, em um bate-papo descontraído. Só depois iniciamos as tratativas sobre a avaliação.
Um dos clientes nos acompanhou na visita às diversas edificações, que eram bastante peculiares. Fomos anotando detalhes e recolhendo a documentação faltante, inclusive croquis, que nos ajudariam a entender cada espaço construído e confirmar a metragem – já que as edificações não estavam averbadas.
Com essas informações em mãos e após a visita in loco, eu e meu parceiro de trabalho voltamos para elaborar a proposta de honorários.
Na próxima crônica, conto como foi o desfecho desse trabalho. Fiquem atentos!
Silmara Gottardi
