
Para Miguel Alberto Camacaro Pérez, engenheiro civil, venezuelano que reside na Comunidad de Madrid (España), grande estudioso das avaliações imobiliárias, a bibliografia das décadas de 20 e 30 sobre as avaliações foi uma verdadeira descoberta. Com as informações do final do século XIX, os autores da tabela Ross–Heideck[1] avançaram a passos largos no século XX e suas contribuições ainda são válidas no século XXI.
O trabalho do Miguel baseia-se na curiosidade em conhecer um pouco mais sobre as fórmulas e tabelas propostas pelo alemão Erich Heideck (1935), também estudado pelos argentinos Raúl Fitte e Ángel Cervini (1939), por fazer parte da história da avaliação latino-americana.
Miguel escreve que será sempre uma tarefa investigar a origem dos métodos e equações matemáticas que nos ensinaram como estudantes, que utilizamos no nosso trabalho e que depois multiplicamos como professores para as gerações seguintes no campo da avaliação. Sobre as personagens da tabela escreveu:
Franz Wilhelm Ross foi um engenheiro alemão que nasceu em Kohlscheid em 1838 e morreu em Hannover em 1901, cidade onde trabalhou desde 1879 como segurador licenciado contra incêndio e avaliador imobiliário. Ele é considerado o fundador do método de determinação do valor de mercado dos imóveis. Sua fórmula de cálculo da depreciação das edificações é baseada na relação entre idade e vida útil, considerando manutenções preventivas. Autor do livro “Guia para determinação do valor construtivo de edifícios” (1884).
Erich Heideck era chefe do departamento de construção e desenvolvimento de máquinas da fábrica de catenárias AEG. Perito de fábrica do Supremo Tribunal e dos tribunais do Distrito Judicial Regional de Berlim, quando escreveu a obra “Avaliação de terrenos industriais e fábricas, bem como terrenos e edifícios para fins comerciais e residenciais” onde aparecem as famosas tabelas Ross-Heideck. Não foi encontrado mais informações sobre Heideck, até agora.
Todas as informações que o Miguel coletou foram obtidas a partir de pesquisas realizadas na internet, entrando em páginas web de construtoras, imobiliárias, sites de avaliadores, organismos de normalização nacionais e internacionais, bibliotecas digitais privadas, universidades, acadêmicos, avaliadores profissionais e arquivo privado dele. Segundo Miguel, se esse material motivar outros profissionais a continuarem com esta linha de pesquisa, a missão de divulgação terá sido cumprida.
Esse relato do Miguel nos mostra o quanto um profissional preocupado com a categoria e com a excelência nas avaliações, é grande! Sim, ele não ficou com a informação retida, ao contrário, fez questão de divulgar.
Aos meus caros alunos e colegas de trabalho, deixo aqui a minha profunda alegria por compartilhar com vocês uma informação tão preciosa e que depois de praticamente uma década de busca fui privilegiada com a história dos engenheiros, por meio de um incansável pesquisador, que além de curioso é um excelente profissional que não se acomodou, foi atrás da informação.
No decorrer dos dias, eu vou deixar links e materiais que o Miguel produziu, também o contato dele da rede social, acho importante vocês acompanharem o trabalho dele, pois está sempre atualizado, com boas publicações, materiais, ebooks, cursos, sempre voltado para a área de avaliação de imóveis. Convido a segui-lo no YouTube. Vamos prestigiar quem realmente trabalha pela sociedade.
E que essa informação não seja lida e esquecida, mas que provoque a curiosidade em cada um de vocês, para que não se conformem com o pouco ou o mais ou menos. Precisamos ir além, porque quem tem conhecimento é livre e tem argumentos.
Não deem ouvidos aos desanimados, nem aos conformados. Estudem, leiam, pesquisem, se aprofundem no conhecimento, isso fará toda diferença na vida de vocês!
Silmara Gottardi
[1] Na bibliografia, o sobrenome aparece sem o e, o que é correto em alemão.

Parabéns Silmara pela excelente pesquisa e reportagem divulgada.
CurtirCurtido por 1 pessoa
Muito obrigada!
CurtirCurtir
Muito bom o artigo, acredita que eu já ouvi um avaliador conhecido dizer que não usa a Depreciação Ross Heideck? Eu achei um verdadeiro sacrilégio!
CurtirCurtido por 1 pessoa