
A cada nova avaliação imobiliária, o Perito pode ter uma surpresa: às vezes, agradável e, às vezes, desagradável. Isso faz parte do trabalho! Então é necessário estar preparado para encarar os fatos.
Aconteceu algo bem peculiar em uma avaliação imobiliária judicial. Um parceiro de trabalho foi nomeado e estávamos fazendo juntos a proposta e todo o trâmite exigido pelo Tribunal de Justiça. A proposta foi aceita e meu colega foi intimado para agendar a vistoria no imóvel.
Agendamos com antecedência, conforme exigência do CPC (Código de Processo Civil). Todo o processo estava seguindo seu curso normal. No dia agendado, fomos até a cidade fazer a vistoria. Chegamos um pouco antes para conhecer a região, andamos de carro pelas ruas próximas e depois caminhamos um pouco.
No horário marcado, fomos até a casa e lá estava uma senhora de certa idade, cabelos grisalhos, pessoa bem simples. Estava varrendo o pátio e ficou um pouco desconfiada quando a abordamos.
Meu colega se apresentou e explicou o motivo de estarmos ali. E quando ele a chamou para confirmar seu nome completo, de imediato, o olhar daquela mulher ficou paralisado. Ela arregalou os olhos e estava claramente com medo e assustada.
Mostramos a documentação, a nomeação e o agendamento da vistoria. Eu também conversei com ela para acalmá-la, aos poucos, ela ficou menos arredia e nos explicou o motivo do susto.
Ela não era a mulher que estava citada nos autos, era a irmã dela. A mulher na ação judicial havia morrido há alguns anos. Aí quem se assustou fomos nós! Como aquilo podia estar acontecendo? Um processo em andamento, uma das partes envolvidas morta há tanto tempo e o advogado não havia feito menção alguma.
Estávamos tentando entender a situação quando, de repente, chegou o assistente técnico de uma das partes. Ele se aproximou e continuamos ali conversando. Foi então que a mulher perguntou se podia ligar para a filha, pois estava um pouco nervosa com tudo aquilo. Imediatamente, a filha chegou e as coisas ficaram mais tranquilas.
Fomos autorizados a fotografar o imóvel e demos continuidade ao nosso trabalho. Depois, agradecemos à senhora e à filha, pedimos desculpas pelo ocorrido, e ressaltamos que realmente não tínhamos conhecimento da morte da envolvida no processo.
Nós Peritos temos que nos limitar ao nosso trabalho. É importante o cuidado para não nos envolvermos com as partes e com os acontecimentos no decorrer do caminho. Fizemos todas as pesquisas e o laudo e entregamos no prazo. O nosso trabalho foi concluído.
O que fizeram com toda aquela situação não sei e nem tem nada a ver com o trabalho da perícia. Em um processo judicial, há vários profissionais envolvidos e cada um faz o que é da sua competência.
Por isso que eu sempre digo: a vida do Perito não é morna! Cada dia é um novo aprendizado! E você, já passou por alguma situação peculiar na vistoria?
Silmara Gottardi

Muito obrigada, Cassiano, pelo comentário!
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Cada avaliação tem sua peculiaridade, como a professora mesmo já mencionou, são relatos assim que nos inspiram e nos ensinam nessa profissão que é de muita importância, tanto em processos judiciais como em vendas de imóveis.
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