
Era uma manhã ensolarada, de bastante calor. O dia estava lindo. Eu e uma parceira de trabalho fomos fotografar um imóvel, já tínhamos horário agendado no condomínio.
Chegamos no horário combinado e, em seguida, fomos até o terreno para fazer as fotos.
Era um terreno um tanto peculiar, com formato diferente, plano, grama bem aparada e o calçamento já pronto. O condomínio tinha poucos terrenos à venda. Fizemos várias fotos. Como o sol estava muito forte, tivemos que cuidar da iluminação, buscando posições para que as imagens ficassem bem claras.
Assim que concluímos, caminhamos pelo condomínio para conhecê-lo melhor e, depois, fomos ao espaço de lazer.
Uma senhora, com um espanhol carregado, nos recebeu com muita simpatia e gentileza.
— Bom dia, podem entrar — disse ela, sorrindo.
Fomos direto ao salão de festas e, aproveitando que ela estava fazendo a limpeza, tiramos rapidamente algumas fotos para não atrapalhar seu trabalho.
Havia muito espaço, área verde, bosque, quiosque, espaço para as crianças — tudo muito bem cuidado.
Enfim, chegamos à parte da piscina. Um rapaz fazia a limpeza do local, então fomos fotografando com cuidado para não atrapalhá-lo.
De repente, o rapaz, de sorriso fácil e muito educado, se aproximou:
— Vocês querem entrar na área da piscina para fazer fotos melhores?
— Queremos, sim! Muito obrigada! — respondemos.
Ele então abriu o portão, que era trancado e só funcionava com senha.
O espaço da piscina era cercado por vidro e metal, de altura média. Havia uma boa área para banho de sol, poltronas confortáveis e árvores frondosas.
Ficamos ali tirando fotos e, de certa forma, admirando aquele lugar tão bonito e bem cuidado. Em um momento, olhei ao redor e não vi mais o rapaz.
— Você viu para onde ele foi? — perguntei.
— Não vi — respondeu minha colega.
Um problema surgia: ele havia fechado o portão, e nós não tínhamos a senha. Ou seja, estávamos trancadas!
Olhamos para todos os lados. Nada do rapaz aparecer.
— E agora? Como vamos sair daqui? — pensei em voz alta.
Foi então que minha parceira, prontamente, sugeriu:
— Vamos pular o cercado!
Olhei para a altura e logo pensei que não daria certo. Sou bem mais baixa que ela, pernas curtas… como eu conseguiria?
Mal tive tempo de responder. Num instante, ela disse:
— Me segura que eu vou pular!
E, “zuppit”, pulou.
Fiquei sem reação. Até que ela chamou do outro lado:
— Vem, Silmara! Pula! Não é tão alto!
Cheguei perto, mas não tinha como. Minhas pernas eram curtas… e, para piorar, comecei a rir ao lembrar da rapidez com que ela havia pulado.
Ali estávamos nós, sem muitas opções — e nada do rapaz voltar.
Então ela sugeriu:
— Vem, dá um impulso que eu te seguro aqui do outro lado!
Aí eu ri ainda mais, imaginando a cena: eu pulando, ela tentando me segurar… e as duas espatifadas no chão.
O tempo passava, e nada.
Respirei fundo e decidi:
— Tá bom… lá vou eu!
Minha colega se posicionou do outro lado, pronta para me ajudar.
E lá fui eu. Como uma criança pulando um muro, sem pensar em mais nada — só queria sair dali.
Fui de uma vez, e ela conseguiu me segurar para que eu não me esborrachasse no chão.
Depois disso, caímos na risada. Uma simples vistoria tinha se transformado em uma pequena aventura.
Saímos de lá… e nada do rapaz aparecer.
Esses percalços fazem parte da vida de corretores e avaliadores de imóveis. Não existe uma receita, nada é sempre perfeito. Há momentos em que precisamos respirar fundo e simplesmente encarar a situação.
E você, já passou por algum apuro durante uma vistoria?
Silmara Gottardi
