As indicações na avaliação imobiliária

Sempre é gratificante ser indicada para um trabalho. Se um colega ou conhecido indica, é porque confia e acredita que seu serviço é de qualidade.

Recebi uma mensagem em que a pessoa se identificou e, de imediato, falou que uma corretora de imóveis havia indicado o meu nome para realizar uma avaliação imobiliária. A cliente queria saber detalhes de como funcionava o serviço, então solicitei a documentação e as informações necessárias para entender que imóvel era e como seria a avaliação.

Sem as informações necessárias, não há como elaborar uma proposta coerente. O cliente é leigo, mas nós, avaliadores, sabemos que o valor a ser cobrado depende da complexidade do trabalho: alguns são menos complexos, enquanto outros são extremamente complexos, exigindo muito mais tempo de estudo e trabalho para realizar a avaliação.

Nesse caso, tratava-se de um terreno na região metropolitana. Havia duas edificações, porém a cliente precisava apenas do valor do terreno.

Apresentei a proposta e, em seguida, ela foi aceita. Agendei a vistoria para o dia seguinte e lá fui eu para mais um trabalho de campo. Cheguei por volta das 13h30; estava um dia lindo de sol, aliás, muito quente, sol ardido. Era uma região um pouco retirada da área central da cidade, bastante povoada, com ruas estreitas, poucas calçadas, ruas de terra e ruas com antipó.

A cliente já estava me aguardando e, como eu faria a avaliação somente do terreno, não havia necessidade de entrar nas casas. Quando existem edificações que não serão avaliadas, as fotos devem ser feitas de forma mais ampla, destacando principalmente o terreno, e é necessário detalhar no laudo que, apesar da existência de edificações, a avaliação refere-se apenas ao terreno.

Debaixo daquele sol escaldante, fiz fotos de ângulos diferentes, fotografei a fachada, parte da rua e procurei demonstrar, por meio das imagens, como era o terreno. Conversei um pouco com a cliente e, em seguida, me despedi.

Saí de lá e segui para o próximo passo: coletar terrenos na região. Isso foi algo bem difícil, pois quase não havia terrenos à venda. Assim, o trabalho foi dobrado: tive que percorrer várias ruas, com muita atenção, para encontrar elementos que permitissem dar continuidade ao trabalho.

Depois de algum tempo, consegui alguns elementos amostrais e fui para o escritório. A partir daí, é necessário reunir todas as informações, organizar o que foi coletado, o que foi fotografado, e começar a produzir o laudo. O trabalho do perito é minucioso; exige atenção e cuidado para que tudo esteja bem organizado e para que o objetivo seja alcançado, ou seja, chegar ao valor real do imóvel.

É nesses detalhes, desde as indicações até a entrega do laudo, que se constrói a credibilidade nas avaliações de imóveis. De nada adianta fazer um laudo “bonito” se o valor estiver fora do valor real de mercado!

Silmara Gottardi

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