
O trabalho autônomo tem suas vantagens e desvantagens. Quando se tem carteira assinada e um emprego fixo, é obrigatório estar presente todos os dias, mas o lado bom é a segurança: todo mês, salário a receber, férias, décimo terceiro e outros benefícios. Em contrapartida, é preciso se dedicar integralmente àquele horário e àquele trabalho, sem desculpas e sem poder escolher.
Já o profissional autônomo tem a vantagem de organizar o próprio tempo, definir como trabalhar e escolher quando ir e vir.
Na avaliação imobiliária, são vários compromissos a cumprir, como os agendamentos das vistorias e os prazos para entrega dos laudos. No entanto, na etapa de produção do laudo, o perito avaliador pode definir o horário em que irá trabalhar e de onde irá fazê-lo.
Nesse contexto, aconteceu comigo de um advogado me procurar em dezembro para solicitar um orçamento com certa urgência. Tratava-se da avaliação de seis imóveis, que precisavam ser concluídas às vésperas do Natal.
Foi bastante complicado, pois avaliar vários imóveis já é um trabalho pesado, e a urgência tornava tudo ainda mais desafiador. Além disso, alguns desses imóveis ficavam fora da capital, o que demandava mais tempo para a realização das vistorias.
Como meu trabalho é sazonal, negar o serviço significaria deixar de receber um bom valor. Além disso, procuro sempre atender às necessidades dos clientes que me procuram, pois isso gera mais indicações e, consequentemente, mais trabalho. Enviei a proposta, que foi aceita.
Inclusive, justifiquei o percentual adicional em razão da urgência e da época do ano, já que eu tinha um cronograma familiar por se tratar do período de férias e das vésperas do Natal.
Coletei toda a documentação e agendei as seis vistorias aos imóveis para o mesmo dia, algumas pela manhã, outras à tarde. Pela manhã, o tempo estava fechado e ventava bastante; à tarde, começou a chover e a temperatura caiu.
Como à tarde as vistorias eram em áreas rurais, a experiência foi ainda mais desafiadora: eu precisava me virar com o guarda-chuva, o celular para as fotos e a documentação, cuidando para não me perder na conferência de cada imóvel. O guarda-chuva servia basicamente para proteger o celular e os documentos.
A esta altura, eu nem me importava em me molhar, o mais importante era garantir informações corretas para a elaboração dos laudos.
Cheguei em casa com as botas cheias de barro, os pés encharcados, a jaqueta completamente molhada e até o cabelo pingando água. Nem tive tempo de prestar atenção nos percalços: minha única preocupação era começar a produção dos laudos, pois cada minuto contava.
Nos dias seguintes, trabalhei dia e noite para dar conta de tudo. Quando surgiam dúvidas, conversava com o advogado, que prontamente me auxiliava. Foi um trabalho em conjunto para que conseguíssemos cumprir o prazo.
Acabou sendo bastante cansativo, mas consegui entregar tudo dentro do prazo e, logo em seguida, o valor foi depositado.
Apesar da tensão, da correria e do estresse para concluir o trabalho, valeu muito a pena. Foi gratificante, fui bem remunerada e minha família já compreendeu que meu trabalho depende dos clientes e que me esforço para atendê-los bem, para que fiquem satisfeitos, retornem e indiquem meu serviço.
No fim, deu tudo certo e pude ter um Natal em família tranquilo.
E você, já passou por um apuro assim? Já precisou fazer uma avaliação imobiliária às vésperas do Natal, com viagem marcada e a família cheia de expectativas, esperando você concluir o serviço?
Silmara Gottardi
