Ross-Heidecke: origem e variação do sobrenome na Avaliação Imobiliária

Esta publicação é uma atualização de um artigo que escrevi há muito tempo, quando a correção do sobrenome do autor alemão apareceu entre os avaliadores imobiliários.

No Método Comparativo do Custo de Construção (conhecido como nova abordagem do método do custo de reprodução), uma das funções para determinar a depreciação de construções imobiliárias tributáveis, que é bem conhecida e utilizada em muitos países latino-americanos, é a função de Ross-Heidecke.

O sobrenome aparece assim na maior parte da literatura latino-americana sobre avaliações imobiliárias para identificar o método combinado de depreciação. Porém, de acordo com uma revisão de literatura publicada recentemente, foi demonstrado que o sobrenome vem sem o “e”.

O Eng. Erich Heideck, de origem alemã, teve um livro publicado por Julius Springer em Berlim (1935), intitulado “Assim como terrenos e edifícios para fins comerciais e residenciais”, de onde extraiu a sua teoria para os fatores por estado de conservação dos edifícios.

Na bibliografia que consultei nos últimos 25 anos, encontrei o sobrenome do autor com o “e” no final e sem ele. Como grande parte das minhas consultas foram feitas em publicações, livros e documentos de língua portuguesa, que falam sobre a função, o sobrenome é Heidecke.

Disposto a investigar a origem dessa mudança do sobrenome em alemão, consultei o destacado e sempre lembrado José Carlos Pellegrino, engenheiro brasileiro, professor de um grande número de Avaliadores de Imóveis em toda a América Latina, e quando lhe fiz a pergunta, com suas sábias palavras ele me respondeu:

“Camacaro, não perca tempo com isso, ele não está mais entre nós. O que importa é que existe uma metodologia muito utilizada pelos colegas e é isso que realmente importa para o reconhecimento do trabalho realizado pelo autor alemão”.

Porém, é muito curioso que justamente nas fontes portuguesas seja mais comum encontrar o sobrenome terminado em vogal. Agora, tenho uma “conjectura” que bem poderia responder a esse “alongamento” do sobrenome e que se baseia na pronúncia do português no Brasil.

Observe que em algumas palavras, principalmente as de origem estrangeira, terminadas em determinadas consoantes, acrescenta-se uma vogal para o som. Como é isso? Vejamos os seguintes exemplos de palavras e sua pronúncia:

  • Picnic: “piquenique”.
  • New York: “nova Iorque”.
  • Blackout: “blecaute”
  • Jeep: “jipe”
  • Test: “teste”

Assim, podemos supor que quem levou a obra do alemão para o Brasil e a publicou tenha incorrido em uma extensão “fonética” e incorporado a vogal “e” no final. Então o sobrenome Heideck pode ser facilmente pronunciado como “Heideque”, que é um som correto aos ouvidos dos brasileiros.

Embora seja uma “conjectura”, que poderia ser demonstrável, não é necessário continuar investigando, é preferível seguir o conselho do Mestre Pellegrino. De tal forma que sugiro a todos aqueles que escrevem livros, artigos, relatórios e /ou publicações na área de avaliações, que quando se referirem ao autor alemão o façam conforme apresentei no título deste artigo, ou seja, Heideck(e). Assim as fontes de sua escrita ficarão equilibradas.

Miguel Alberto Camacaro Pérez – @mundovalor

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