
Como sempre comento por aqui, a avaliação imobiliária nos reserva a cada dia novas surpresas. Quando o cliente entra em contato, elaboro a proposta de honorários e, sendo aceita, já agilizo o agendamento da vistoria.
A vistoria é o primeiro passo porque, a partir dela, depois de conhecer bem o imóvel e a região, faço a pesquisa de mercado e a coleta de elementos amostrais.
Em uma dessas propostas aceitas, me dirigi para a região metropolitana. O advogado que contratou meus serviços comentou que o imóvel era uma construção abandonada. Embora localizado na região central da cidade, o lugar estava em péssimo estado de conservação, com muito mato, árvores, buracos, tapumes e sujeira.
E lá fui eu para mais uma “aventura” no trabalho com as avaliações imobiliárias. Saí bem cedinho, o local ficava distante e, por isso, agendei no primeiro horário da manhã. Havia bastante trânsito principalmente no contrafluxo, porque é o horário em que as pessoas saem para o trabalho e também para estudar.
Quando cheguei, o advogado já estava me aguardando. Conversamos um pouco e eu percebi o quanto aquele lugar estava realmente largado. Chegava a ser um pouco assustador, tapumes despencando, grama e mato misturados, tábuas e ripas jogadas e amontoadas no chão.
Enquanto conversámos, comecei a fotografar e anotar as informações. O advogado me acompanhou e íamos desbravando aquele lugar, desviando dos espinhos e plantas. A construção estava inacabada, era feita de blocos e estava na segunda laje, só havia paredes nas laterais. Com muito cuidado, eu tentava me posicionar para conseguir as melhores fotos.
Depois de fotografar e anotar o necessário, saímos do terreno e, quando eu estava me despedindo e explicando sobre a entrega do laudo, senti um inseto no meu braço. Era uma abelha e, antes que eu pudesse me proteger, ela me picou. De imediato, só uma fisgada. Inclusive saí de lá e ainda percorri a região para dar continuidade ao trabalho.
Mas em seguida, meu braço começou a doer, sentia fisgadas contínuas e doloridas. Eu estava voltando para casa e tive certa dificuldade para dirigir. Resolvi parar o carro em um local seguro e passei álcool, pois era a única coisa que eu tinha no carro e achei que poderia aliviar a dor.
Continuei dirigindo na rodovia e a dor só aumentava. Aquilo estava me incomodando bastante, mas enfim cheguei em casa. Naquele momento, a dor era intensa e meu braço começou a inchar. Foi então que pensei na única alternativa imediata: tentar tirar o ferrão e, caso não conseguisse, ir ao pronto-socorro.
A primeira ideia deu certo, consegui tirar o ferrão e imediatamente a dor aliviou. Que susto, dessa vez!
A vida de Perito não é fácil. Apesar de toda satisfação com o trabalho nas avaliações imobiliárias, há também o lado difícil, tenso, de dificuldade, que poucos expõem. Eu procuro trazer a minha experiência nas avaliações de imóveis para que o profissional que pretenda entrar nesse mundo possa conhecer a realidade do dia a dia e não só as “estorinhas” bonitas e fantasiosas.
E você? Já passou por algum incidente ou situação perigosa no trabalho com as avaliações? Compartilhe sua experiência nos comentários, vou gostar de saber!
Silmara Gottardi
