Olhos grudados na estrada – avaliação imobiliária

O trabalho com a avaliação imobiliária nos mostra que de repente pode surgir um orçamento sem estarmos esperando. Em uma semana posso estar sem laudos para fazer e noutra ter vários trabalhos em andamento, isso tudo é algo normal no nosso dia a dia. Em uma ocasião, um colega de trabalho me passou mensagem indicando uma avaliação de imóvel, pois ele não estava em condições de atender à cliente naquele momento. De imediato, eu respondi que iria falar com a pessoa.

Enviei mensagem e em seguida conversamos. A cliente era uma advogada que estava trabalhando em um inventário e precisava de uma avaliação de imóvel rural. Ela foi bem profissional, explicou o que precisava e que tinha prazo para concluir. Me enviou a matrícula, os documentos e todas as informações que pedi. Fiz o orçamento e foi aprovado.

Agendei a vistoria para a mesma semana, porque eu precisava agilizar o processo. E sem conhecer o imóvel é impossível dar início aos trabalhos; é a vistoria que determina todo processo da avaliação. Eu e meu colega partimos para a vistoria. Saímos bem cedo, pois seriam mais ou menos duas horas de viagem. O movimento era intenso na serra, cerração forte e, diante disso, todo cuidado é pouco.

Passamos por trechos muito bonitos na estrada, porém eu não podia apreciar muito as belezas naturais, porque precisava ficar com os olhos grudados na estrada. Mesmo assim pensei: “Como é algo mágico quando temos a oportunidade de passar por lugares rodeados pela natureza, o verde exuberante, que nos traz sentimento de paz e renova nossas energias”.

Chegamos ao imóvel rural no horário previsto, a cliente já nos aguardava, e para nossa surpresa, com um delicioso café da manhã, água, pães, biscoitos, tudo muito bem preparado. E se o caminho havia sido bonito, chegando lá, fiquei ainda mais encantada. O que se avistava era um lugar lindo, com água em abundância e totalmente limpa, transparente; havia pássaros cantando; várias espécies de árvores e flores; as edificações eram peculiares, construídas umas em madeira e outras em pedra.

Conversamos com a cliente para entender um pouco melhor sobre a área e seguimos juntos caminhando pela propriedade. O sol estava forte, um calor intenso, mas não tínhamos escolha, até porque teríamos de andar bastante e cada minuto era importante. Percorremos as terras, fotografamos e anotamos cada detalhe. Depois nos despedimos da cliente e continuamos nosso caminho, andando pela região e buscando informações. Precisávamos coletar elementos amostrais e conhecer o lugar.

Mais tarde seguimos para casa. Essa é uma parte do trabalho do Perito: fazer a vistoria, coletar informações, conhecer a região, pesquisar imóveis semelhantes. É impossível fazer uma avaliação sem a vistoria.

E você conhece alguém ou já ouviu alguém dizer que “não precisa” fazer vistoria para avaliar um imóvel?

Silmara Gottardi

Deixe um comentário