
Eu, o Guilherme e o engenheiro ficamos por algum tempo ali para finalizarmos a vistoria naquela parte. Depois, de carro, fomos para outro local, estacionamos e seguimos caminhando. Agora a coisa complicava um pouco, pois havia um barranco para acessarmos o outro lado e o rio, então tivemos que descer com muito cuidado, aí estava a razão de usarmos os calçados especiais para a terra.
O sol cada vez mais forte, sentíamos o suor escorrer pelo rosto, mas sempre com o olhar fixo no nosso trabalho, andando pelas terras. De repente, nos surpreendemos com um “morador” que estava lá esticado ao sol, era um lagarto, o bichinho bem tranquilo tomando um sol.
Em seguida, voltamos para a sede da empresa, devolvemos os equipamentos de segurança, eu tomei um café, agradecemos a gentileza do engenheiro, nos despedimos e fomos embora. No caminho eu e Guilherme estávamos com os olhos brilhando, era uma experiência totalmente diferente, algo que nos mostrava o quanto é incrível trabalhar com as avaliações de imóveis, como aprendemos nas vistorias.
E, apesar das horas ali fotografando e anotando, nós dois tivemos a mesma ideia, queríamos mais informações e parecia que estava faltando algo. Foi então que decidimos voltar por outro caminho. Chegamos pelo outro lado do rio e arriscamos para ver se o vizinho estava lá e se nos permitiria entrar nas terras dele, para assim fazermos fotos de outros ângulos.
Para nossa felicidade, o vizinho estava, era um senhor muito simples, gentil, estava acompanhando uns rapazes que trabalhavam ali no sítio, nos atendeu bem, explicamos o que precisávamos, e ele prontamente se ofereceu para nos acompanhar. Percorremos um trecho de carro e depois a pé.
Apesar da idade avançada, o senhor ia caminhando rapidamente, passos firmes e largos, sempre muito falante, explicava as divisas das terras, e de repente ele já foi entrando na mata fechada. Eu olhei para Guilherme e pensei: “não podemos fazer feio, né?”. Se ele, com aquela idade, estava naquele pique, temos que acompanhá-lo.
Era uma terra com declive acentuado, a mata bem fechada, o senhor nos dizendo para tomarmos cuidado, pois poderia ter espinhos em algumas plantas. Fomos até o rio, também fomos até uma nascente. Havia muitas espécies de árvores e plantas baixas.
Era encantador poder estar ali trabalhando e, ao mesmo tempo, tendo uma “aula”, porque o senhor nos mostrava árvores centenárias, dizia o nome de cada uma e nos explicava tudo com detalhes. Voltamos e tiramos mais algumas fotos, sempre ouvindo as histórias daquele lugar.
Realmente a vistoria é o momento mais incrível do trabalho das avaliações imobiliárias, porque neste momento temos o privilégio de sempre conhecer um pouco mais da história. Agradecemos o senhor e voltamos para o escritório do Guilherme.
A partir daí, conversamos sobre os procedimentos para fazer o laudo: pesquisas, anotações, fotos, cálculos e tudo o que podíamos acrescentar para enriquecer nosso trabalho. Na data marcada, entregamos o laudo e demos por encerrado aquele trabalho de avaliação rural. Foram vários dias de estudo, pesquisa, muitas buscas de informações necessárias para entregarmos o nosso melhor.
Silmara Gottardi
Se você perdeu a parte I e II desta crônica, confira aqui!
A VISTORIA – IMÓVEL RURAL – PARTE I
A VISTORIA – IMÓVEL RURAL – PARTE II
